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Mostrando postagens de abril, 2026

Freud e Foucault, da liberdada confiscada à liberdade conquistada (parte III)

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O filósofo contempla Paris 2. 4. A crítica à psicanálise em La Volonté de Savoir . No lugar de supor a hipótese da repressão, Foucault mostra que houve proliferação discursiva em torno do sexo. Há uma incitação a falar e não um recalque da fala. Diversos discursos, como o da demografia, da biologia, da medicina, da psiquiatria, da psicologia, incitam a falar de sexo. Tal como Foucault já analisara em PP e em LA, as ciências psicológicas, a psiquiatria e a psicanálise, giram em torno da “patologização” do comportamento e das condutas, cuja gênese decorre do instinto em seu desenvolvimento. Há todo um aparato médico que interfere na família, ao mesmo tempo em que o poder psiquiátrico incorpora o domínio da perversão. Esta é configurada pela análise do caráter, da história do indivíduo, de sua morfologia. O homossexual desponta como o perverso por excelência. O insólito sexual é recoberto pela aparente neutralidade do discurso médico-científico. No século XX, a medicina da biologia d...

Freud e Foucault, da liberdade confiscada à liberdade conquistada (Parte II)

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  2.1.    A crítica à psicanálise em Histoire de la Folie. Em HF aponta aspectos pelos quais a psicanálise opera com o modelo da psiquiatria e outros que rompem com práticas e pressupostos da psiquiatria. Assim, ao mostrar que a loucura é provocada por algum tipo de perturbação da sexualidade, a psicanálise opera com a divisão entre razão e desatino, mas num sentido diferente da psiquiatria, pois evita a condenação moral que resultou na patologização da loucura na época do asilo. Para Freud (e também para Nietzsche, Artaud, Bataille, por exemplo) a verdade de si do sujeito moderno é contestada pelo desatino, ao passo que a psiquiatria acredita lidar com a “objetividade patológica”, não tem como lidar com o desatino, com o “escândalo da animalidade” que está no cerne da loucura. Sob esta visão crítica da loucura, há que “être juste avec Freud [...]. [Freud] reprenait la folie au niveau de son langage, reconstituait un des éléments essentiels d’une expérience réduite au s...

Freud e Foucault, da liberdade confiscada à liberdade conquistada (parte I)

  Freud e Foucault: da liberdade confiscada à liberdade construída Inês Lacerda Araújo   Resumo: Para Foucault a interpretação do sujeito moderno e a constituição de uma subjetividade normalizada provêm da psiquiatria, que é também o solo de Freud e da psicanálise. A produção de verdade acerca de si resulta num tipo de subjetividade “medicalizada”. Os conceitos de instinto, trauma, o papel da família, a psicanálise como prática da fala e da escuta, a sexualidade infantil, desempenham funções na sociedade da normalização. Essa terapêutica é vista como libertação (numa leitura de Freud) ou é técnica para minimizar os efeitos do interdito. Porém esses objetivos não são alcançados, ao contrário, eles favorecem a sociedade disciplinar. Daí a proposta de Foucault da construção de atos livres de resistência ao dispositivo histórico de sexualidade. Somos mais livres do que suspeitamos, podemos modificar o que temos feito com a pessoa humana, com autonomia e criatividade, o qu...