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Mostrando postagens de março, 2026

A política, a biopolítica para Foucault

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 Filósofo que abre veredas, que desconserta. Política Os governos atuais, e Foucault se referia à Europa de seu tempo, não sob o ponto de vista geral do Estado e seu poder, mas sob uma nova abordagem, como governos se sustentam, o que eles produzem. Entram nessa análise o liberalismo do século 18 e 19 e o neoliberalismo do século 20, sob nova perspectiva, eles são fatores necessários à governamentalidade (poder exercer o governo) e ao mesmo tempo resultam dessa governamentalidade moderna. Nos cursos de 77-79 ele questiona acerca do exercício da soberania política em termos de governo, precisou cunhar um neologismo aplicado à nova e original concepção de governo e de política, o de “ gouvernementalité ”, a “governamentalidade”. E uma nova maneira de analisar o Estado, a soberania, o papel do direito e da sociedade civil. Para entender seu projeto teórico acerca da governamentalidade, os cursos de “Em Defesa da Sociedade”, “Segurança, Território, População” e “Nascimento da Bio...

Foucault, a subjetividade como construção

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  As análises da construção da subjetividade Por subjetividade, a maioria das pessoas entende uma espécie de “eu” estável, responsável pela identidade, algo profundo, pessoal, intransferível, um pouco como Descartes definiu o sujeito pensante. Afirma Foucault em Ditos e escritos : "No curso de sua história, os homens não cansaram de se construir a si mesmos, isto é, de deslocar continuamente sua subjetividade, de se constituir através de uma série infinita e múltipla de subjetividades diferentes e que não terão fim, e não nos colocarão jamais diante de algo que seria o homem" (1994, vol. IV, p. 75). Foucault analisa a subjetividade como uma construção relacionada a modos ou técnicas de si, provenientes de certos fatores e mudanças culturais. Instituições de normalização e exclusão produzem verdades que servem como instrumento para a exclusão, a normalização, a dominação, a disciplina, a vigilância, a punição. Para ajustar a população crescente aos mecanismos de produção...

100 anos nascimento de Foucault

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Corria o ano de 1978, recebi o convite de Susana Munhoz da Rocha, nós éramos professoras no Departamento de Filosofia, UFPR, para participar de um seminário sobre Michel Foucault. Convite aceito, preparei um texto, apresentei e acabei por interessar-me pelo filósofo. Lá se vão anos e Foucault foi um dos pensadores a quem dediquei estudos e publicações, sempre no sentido de esclarecer suas ideias e mostrar que ele não é autor maldito como muitos apontam, nem pretendeu fechar questões, nem é guru da esquerda, nem gênio inconteste. Foi professor, incansável pesquisador, atraiu um público notável com seus cursos no Collège de France, foi um arauto da liberdade de pensamento, um crítico das instituições que usam métodos de correção cruéis, mostrou que não há inocência nem culpa que não tenham passado por discursos de saber com efeitos de poder. As publicações deste blog visam tornar públicas algumas de suas ideias, textos que poderiam ser publicados em revistas especializadas, há várias del...